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    April 25

    Pai Como Modelo de Perdão

    Pai Como Modelo de Perdão

    Na oração do Pai-nosso reconhecemos a característica principal dos
    filhos de Deus ao dizermos: "Perdoa as nossas dívidas, assim como
    perdoamos aos nossos devedores” (Mt 6:12).
    Jesus apresenta seu Pai como modelo para o perdão: é o rei de Mateus
    18, que perdoa uma soma fantástica, um débito impagável; o Deus que
    perdoa de forma ilimitada (que é o significado de setenta vezes sete).
    Deus convoca seus filhos a um estilo de vida que vai contra a cultura:
    conceder perdão num mundo que exige olho por olho - ou mesmo pior.
    Mas, se amar a Deus é o primeiro mandamento e amar o próximo prova
    nosso amor por Deus, e se é fácil amar aqueles que nos amam, então
    amar nossos inimigos deve ser como um crachá que nos identifica como
    filhos de Deus.
    A convocação para que vivamos como filho perdoado e compassivo é
    radicalmente inclusiva. Ela é dirigida não apenas à esposa cujo marido
    esqueceu o aniversário de casamento, mas também aos pais da criança
    que foi assassinada por um motorista bêbado; as vítimas de acusações
    levianas; ao pobre que vive na sarjeta e vê o rico passar em um
    Mercedes; aos que sofreram violência sexual; ao cônjuge envergonhado
    pela traição do companheiro; aos cristãos escandalizados com imagens
    blasfemas de uma divindade pagã; à mãe, em El Salvador, que recebeu o
    corpo da filha brutalmente massacrada; aos casais de idosos que
    perderam todas as economias nas mãos de banqueiros desonestos; à
    mulher cujo marido alcoólico desperdiçou a herança e aos que são
    objetos de zombaria, discriminação e preconceito.
    As exigências do perdão intimidam tanto que parecem humanamente
    impossíveis. Elas estão além da capacidade da vontade humana, carente
    da graça. Apenas a confiança total numa Fonte maior pode nos dar poder
    para perdoar os males que outros nos causaram. Em momentos extremos
    como esses, há apenas um lugar aonde ir: o Calvário.
    Fique ali por um longo tempo e observe o Filho unigênito de Deus
    morrer em completa solidão e desonra sangrenta. Veja como ele sopra
    perdão sobre seus torturadores no momento de maior crueldade e
    impiedade. Naquele monte solitário, fora dos muros da antiga
    Jerusalém, você e eu recebemos o poder de cura do Senhor que agoniza.
    A experiência mostra que a cura interior raramente é resultado de
    catarse repentina ou da libertação instantânea da amargura, da raiva,
    do ressentimento e do ódio. É, com maior freqüência, um crescimento
    gradual na unidade com o Crucificado, que conquistou nossa paz por
    meio de seu sangue na cruz.
    Isso pode levar bastante tempo, pois as lembranças ainda estão vívidas
    demais e a dor, muito profunda. Mas vai acontecer. O Cristo
    crucificado não se limita a ser um exemplo heróico para a Igreja: ele
    é o poder e a sabedoria de Deus, força viva e ressurreta,
    transformando nossa vida e nos capacitando a estender a mão
    reconciliadora aos nossos inimigos.
    A compreensão ativa a compaixão que torna o perdão possível.